DR. PAULO ROBERTO SILVEIRA

VIVO DE AJUDAR AS PESSOAS  A AMENIZAREM  OS SOFRIMENTOS  DO CORPO E DA ALMA.

Textos

COMO SE TORNAR UM HOMEM
COMO SE TORNAR UM HOMEM
E aqui vou encerrando este livro, despretensioso, mas sincero e escrito com grande prazer. O prazer que a gente tem em partilhar com os amigos alguns momentos de nossa história pessoal, e de histórias que foram compartilhadas com a gente, e que, de alguma forma, mudaram nossas vidas, tornando-nos um pouco melhores do que éramos imediatamente antes.  E é assim que, acredito, tornamo-nos pessoas mais nobres: a cada dia, a cada instante. A cada história vivida ou ouvida. Vez por outra, me pego voltando para dentro de mim mesmo, rememorando fatos, histórias, pessoas, coisas que me tocaram e mexeram comigo, a ponto de transformar-me.
E dentre essas histórias, destaca-se, neste momento, uma muito especial, da qual, no último dia 11 de março, já acordei lembrando.  O porque de uma lembrança tão específica, com dados tão específicos como a data, eu explico a seguir.
Já ao despertar, veio-me à mente, com toda clareza, aquela época deliciosa do 4º ano ginasial , nos idos de 1965. Eu contava, então,  15 anos de idade. Estudava no Colégio Macedo Soares, em Volta Redonda, que só admitia garotos, e nós tínhamos um professor de matemática chamado José Nogueira Fontes, mas que fazia questão de que o chamássemos professor Jonofon. E ele nos dizia:
—  Meninos, para vocês se tornarem homens de fato, precisam fazer três coisas: primeiro, plantar uma árvore; segundo, escrever um livro; terceiro, ter um filho.
E continuou:
— Hoje, nós vamos preencher uma dessas lacunas. Vamos escrever juntos um livro, um livro de matemática!
A seguir, mandou-nos ir a uma papelaria, para que comprássemos aqueles capas avulsas, capas duras que se vendia naquela época, que se assemelhavam a capas de livro mesmo, e tinham um espaço, na parte interna da lombada, para se colocar o que se quisesse. Papéis com aulas anotadas, revistas, fotos grandes, etc.
Afoitos e felizes, começamos todos a escrever o livro de matemática, orientados pelo professor Jonofon, que nos ditava o conteúdo.  Eea um livro mesmo, autêntico, de matemática, com histórico, prólogo e dedicatória. Todos nós, claro dedicávamos nossos livros aos nossos pais e, evidentemente, também ao professor Jonofon que, com seu forte sotaque nordestino, a cada aula, nos ditava mais um capítulo do livro. Um detalhe de que eu nunca esqueci, era quando ele perguntava quem eram os aniversariantes do mês. No dia de cada um de nós, todos os demais tinham de fazer uma dedicatória ao aniversariante daquele dia.  Em 11 de março, o aniversariante era o colega José Márcio Policarpo. Nunca esqueci aquilo, inclusive porque o dia do meu aniversário é no 22  de março. Aniversariamos no mesmo mês, e o dia dele é metade do número correspondente ao meu dia. Achava a aquilo curioso, de modo que foi um motivo a mais para eu guardar esses fatos na memória. Mas não foi só por isso...

José Márcio Policarpo era franzino, tímido, um aluno de inteligência mediana , mas que tinha um dom especial: era um músico inspirado a talentoso.  Tocava divinamente o acordeon, e também magistralmente o clarinete. Eu o admirava muito por isto. Quando José Márcio era convidado a tocar acordeon e clarinete nas festas do Colégio Macedo Soares, ele se revelava um grande artista.
Eu era o judoca do colégio, e era também o primeiro aluno da minha turma. Certa feita, José Márcio me pediu que fosse até a sua casa, no bairro da Bela Vista, para lhe dar algumas explicações em matemática (eu era fera na matéria). Nessa ocasião, ele me apresentou aos pais:
— Mãe, pai, esse e o famoso Sansão, meu amigo. Um cara forte e inteligente!
Almoçamos, num clima muito fraterno (os pais dele eram extremamente gentis) e passamos uma tarde muito agradável, em que os estudos fluíram na maior tranquilidade, e pude esclarecer muitas dúvidas de meu amigo. No final, José Márcio me presenteou com um almanaque daqueles muito atraentes, cheio de artigos e imagens versando sobre assuntos interessantíssimos.
Num determinado momento, antes que eu me fosse, os pais do meu amigo se aproximaram de mim, discretamente, aproveitando-se de uma ausência momentânea de José Márcio. Não sei se ele tinha poucos amigos e os pais perceberam o quanto era sólida e verdadeira a nossa amizade, o fato é que desabafaram comigo, fazendo-me uma revelação terrível. Havia pouco tempo, meu querido amigo tinha sido diagnosticado como portador de leucemia mieloide. E um detalhe: ele mesmo não sabia da doença, que naquela época era considerada um câncer do sangue, com diagnóstico fatal.  Fiquei muito, muito triste com aquela notícia e cumpri minha promessa feita aos pais do meu amigo de não contar nada para ele e nem para mais ninguém, fossem colegas ou professores.
José Márcio Policarpo morreu de leucemia naquele mesmo ano. Acho que ali foi a primeira vez que a morte levava alguém tão querido e tão próximo de mim. Naquela época mesmo, me dei conta de que um homem é feito de algo mais do que um livro, uma árvore plantada e filhos... Estar frente a frente com o lado difícil da vida (que algumas vezes é a própria morte) também faz parte dos elementos que construirão um dia o que meu professor de matemática no Macedo Soares chamava um homem de fato.
Todos os anos, no dia do aniversário de meu amigo, faço uma oração para ele, onde quer que esteja. Com certeza está no céu, fazendo a alegria dos anjos e santos, tocando maravilhosamente seu acordeom e magistralmente o seu clarinete. E quem mora hoje em Volta Redonda, poderá constatar que, ao lado dos Correios, na Vila, existe uma rua com o nome desse meu amigo: José Márcio Policarpo.
Neste dia 11 de março, portanto, acordei lembrando-me de tudo isso. De meu amigo tão prematuramente falecido; do professor Jonofon, da escola, dos colegas. E de tanta coisa mais... Foi então que percebi que já havia escrito um livro, que já plantei uma árvore, tive meus filhos amados — Ana Paula e André Luiz — e já me deparei, relativamente cedo, com o lado difícil da vida.  Sou um homem realizado ... ou quase...Acredito que um homem, ou um homem de fato nunca está pronto. Chegamos a um ponto, é verdade, em que já atingimos esse status, ou seja, podemos nos considerar homens. No entanto, esta é uma obra que se arremata e se aperfeiçoa durante toda a vida. Além dos livros que escrevi, da árvore que plantei, dos filhos que tenho; além das histórias inesquecíveis que vivi, algumas engraçadas, outras comoventes, outras, como vocês viram, insólitas — e de outras histórias vividas que não narrei aqui — sei que há muitas outras me esperando no caminho, para acontecer, para se concretizar e aperfeiçoar mais e mais a pessoa, o homem que sou hoje.
Mas isto...é uma outra história...



COMO SE TORNAR UM HOMEM
E aqui vou encerrando este livro, despretensioso, mas sincero e escrito com grande prazer. O prazer que a gente tem em partilhar com os amigos alguns momentos de nossa história pessoal, e de histórias que foram compartilhadas com a gente, e que, de alguma forma, mudaram nossas vidas, tornando-nos um pouco melhores do que éramos imediatamente antes.  E é assim que, acredito, tornamo-nos pessoas mais nobres: a cada dia, a cada instante. A cada história vivida ou ouvida. Vez por outra, me pego voltando para dentro de mim mesmo, rememorando fatos, histórias, pessoas, coisas que me tocaram e mexeram comigo, a ponto de transformar-me.
E dentre essas histórias, destaca-se, neste momento, uma muito especial, da qual, no último dia 11 de março, já acordei lembrando.  O porque de uma lembrança tão específica, com dados tão específicos como a data, eu explico a seguir.
Já ao despertar, veio-me à mente, com toda clareza, aquela época deliciosa do 4º ano ginasial , nos idos de 1965. Eu contava, então,  15 anos de idade. Estudava no Colégio Macedo Soares, em Volta Redonda, que só admitia garotos, e nós tínhamos um professor de matemática chamado José Nogueira Fontes, mas que fazia questão de que o chamássemos professor Jonofon. E ele nos dizia:
—  Meninos, para vocês se tornarem homens de fato, precisam fazer três coisas: primeiro, plantar uma árvore; segundo, escrever um livro; terceiro, ter um filho.
E continuou:
— Hoje, nós vamos preencher uma dessas lacunas. Vamos escrever juntos um livro, um livro de matemática!
A seguir, mandou-nos ir a uma papelaria, para que comprássemos aqueles capas avulsas, capas duras que se vendia naquela época, que se assemelhavam a capas de livro mesmo, e tinham um espaço, na parte interna da lombada, para se colocar o que se quisesse. Papéis com aulas anotadas, revistas, fotos grandes, etc.
Afoitos e felizes, começamos todos a escrever o livro de matemática, orientados pelo professor Jonofon, que nos ditava o conteúdo.  Eea um livro mesmo, autêntico, de matemática, com histórico, prólogo e dedicatória. Todos nós, claro dedicávamos nossos livros aos nossos pais e, evidentemente, também ao professor Jonofon que, com seu forte sotaque nordestino, a cada aula, nos ditava mais um capítulo do livro. Um detalhe de que eu nunca esqueci, era quando ele perguntava quem eram os aniversariantes do mês. No dia de cada um de nós, todos os demais tinham de fazer uma dedicatória ao aniversariante daquele dia.  Em 11 de março, o aniversariante era o colega José Márcio Policarpo. Nunca esqueci aquilo, inclusive porque o dia do meu aniversário é no 22  de março. Aniversariamos no mesmo mês, e o dia dele é metade do número correspondente ao meu dia. Achava a aquilo curioso, de modo que foi um motivo a mais para eu guardar esses fatos na memória. Mas não foi só por isso...

José Márcio Policarpo era franzino, tímido, um aluno de inteligência mediana , mas que tinha um dom especial: era um músico inspirado a talentoso.  Tocava divinamente o acordeon, e também magistralmente o clarinete. Eu o admirava muito por isto. Quando José Márcio era convidado a tocar acordeon e clarinete nas festas do Colégio Macedo Soares, ele se revelava um grande artista.
Eu era o judoca do colégio, e era também o primeiro aluno da minha turma. Certa feita, José Márcio me pediu que fosse até a sua casa, no bairro da Bela Vista, para lhe dar algumas explicações em matemática (eu era fera na matéria). Nessa ocasião, ele me apresentou aos pais:
— Mãe, pai, esse e o famoso Sansão, meu amigo. Um cara forte e inteligente!
Almoçamos, num clima muito fraterno (os pais dele eram extremamente gentis) e passamos uma tarde muito agradável, em que os estudos fluíram na maior tranquilidade, e pude esclarecer muitas dúvidas de meu amigo. No final, José Márcio me presenteou com um almanaque daqueles muito atraentes, cheio de artigos e imagens versando sobre assuntos interessantíssimos.
Num determinado momento, antes que eu me fosse, os pais do meu amigo se aproximaram de mim, discretamente, aproveitando-se de uma ausência momentânea de José Márcio. Não sei se ele tinha poucos amigos e os pais perceberam o quanto era sólida e verdadeira a nossa amizade, o fato é que desabafaram comigo, fazendo-me uma revelação terrível. Havia pouco tempo, meu querido amigo tinha sido diagnosticado como portador de leucemia mieloide. E um detalhe: ele mesmo não sabia da doença, que naquela época era considerada um câncer do sangue, com diagnóstico fatal.  Fiquei muito, muito triste com aquela notícia e cumpri minha promessa feita aos pais do meu amigo de não contar nada para ele e nem para mais ninguém, fossem colegas ou professores.
José Márcio Policarpo morreu de leucemia naquele mesmo ano. Acho que ali foi a primeira vez que a morte levava alguém tão querido e tão próximo de mim. Naquela época mesmo, me dei conta de que um homem é feito de algo mais do que um livro, uma árvore plantada e filhos... Estar frente a frente com o lado difícil da vida (que algumas vezes é a própria morte) também faz parte dos elementos que construirão um dia o que meu professor de matemática no Macedo Soares chamava um homem de fato.
Todos os anos, no dia do aniversário de meu amigo, faço uma oração para ele, onde quer que esteja. Com certeza está no céu, fazendo a alegria dos anjos e santos, tocando maravilhosamente seu acordeom e magistralmente o seu clarinete. E quem mora hoje em Volta Redonda, poderá constatar que, ao lado dos Correios, na Vila, existe uma rua com o nome desse meu amigo: José Márcio Policarpo.
Neste dia 11 de março, portanto, acordei lembrando-me de tudo isso. De meu amigo tão prematuramente falecido; do professor Jonofon, da escola, dos colegas. E de tanta coisa mais... Foi então que percebi que já havia escrito um livro, que já plantei uma árvore, tive meus filhos amados — Ana Paula e André Luiz — e já me deparei, relativamente cedo, com o lado difícil da vida.  Sou um homem realizado ... ou quase...Acredito que um homem, ou um homem de fato nunca está pronto. Chegamos a um ponto, é verdade, em que já atingimos esse status, ou seja, podemos nos considerar homens. No entanto, esta é uma obra que se arremata e se aperfeiçoa durante toda a vida. Além dos livros que escrevi, da árvore que plantei, dos filhos que tenho; além das histórias inesquecíveis que vivi, algumas engraçadas, outras comoventes, outras, como vocês viram, insólitas — e de outras histórias vividas que não narrei aqui — sei que há muitas outras me esperando no caminho, para acontecer, para se concretizar e aperfeiçoar mais e mais a pessoa, o homem que sou hoje.
Mas isto...é uma outra história...










COMO SE TORNAR UM HOMEM

E aqui vou encerrando este livro, despretensioso, mas sincero e escrito com grande prazer. O prazer que a gente tem em partilhar com os amigos alguns momentos de nossa história pessoal, e de histórias que foram compartilhadas com a gente, e que, de alguma forma, mudaram nossas vidas, tornando-nos um pouco melhores do que éramos imediatamente antes.  E é assim que, acredito, tornamo-nos pessoas mais nobres: a cada dia, a cada instante. A cada história vivida ou ouvida. Vez por outra, me pego voltando para dentro de mim mesmo, rememorando fatos, histórias, pessoas, coisas que me tocaram e mexeram comigo, a ponto de transformar-me.
E dentre essas histórias, destaca-se, neste momento, uma muito especial, da qual, no último dia 11 de março, já acordei lembrando.  O porque de uma lembrança tão específica, com dados tão específicos como a data, eu explico a seguir.
Já ao despertar, veio-me à mente, com toda clareza, aquela época deliciosa do 4º ano ginasial , nos idos de 1965. Eu contava, então,  15 anos de idade. Estudava no Colégio Macedo Soares, em Volta Redonda, que só admitia garotos, e nós tínhamos um professor de matemática chamado José Nogueira Fontes, mas que fazia questão de que o chamássemos professor Jonofon. E ele nos dizia:
—  Meninos, para vocês se tornarem homens de fato, precisam fazer três coisas: primeiro, plantar uma árvore; segundo, escrever um livro; terceiro, ter um filho.
E continuou:
— Hoje, nós vamos preencher uma dessas lacunas. Vamos escrever juntos um livro, um livro de matemática!
A seguir, mandou-nos ir a uma papelaria, para que comprássemos aqueles capas avulsas, capas duras que se vendia naquela época, que se assemelhavam a capas de livro mesmo, e tinham um espaço, na parte interna da lombada, para se colocar o que se quisesse. Papéis com aulas anotadas, revistas, fotos grandes, etc.
Afoitos e felizes, começamos todos a escrever o livro de matemática, orientados pelo professor Jonofon, que nos ditava o conteúdo.  Eea um livro mesmo, autêntico, de matemática, com histórico, prólogo e dedicatória. Todos nós, claro dedicávamos nossos livros aos nossos pais e, evidentemente, também ao professor Jonofon que, com seu forte sotaque nordestino, a cada aula, nos ditava mais um capítulo do livro. Um detalhe de que eu nunca esqueci, era quando ele perguntava quem eram os aniversariantes do mês. No dia de cada um de nós, todos os demais tinham de fazer uma dedicatória ao aniversariante daquele dia.  Em 11 de março, o aniversariante era o colega José Márcio Policarpo. Nunca esqueci aquilo, inclusive porque o dia do meu aniversário é no 22  de março. Aniversariamos no mesmo mês, e o dia dele é metade do número correspondente ao meu dia. Achava a aquilo curioso, de modo que foi um motivo a mais para eu guardar esses fatos na memória. Mas não foi só por isso...

José Márcio Policarpo era franzino, tímido, um aluno de inteligência mediana , mas que tinha um dom especial: era um músico inspirado a talentoso.  Tocava divinamente o acordeon, e também magistralmente o clarinete. Eu o admirava muito por isto. Quando José Márcio era convidado a tocar acordeon e clarinete nas festas do Colégio Macedo Soares, ele se revelava um grande artista.
Eu era o judoca do colégio, e era também o primeiro aluno da minha turma. Certa feita, José Márcio me pediu que fosse até a sua casa, no bairro da Bela Vista, para lhe dar algumas explicações em matemática (eu era fera na matéria). Nessa ocasião, ele me apresentou aos pais:
— Mãe, pai, esse e o famoso Sansão, meu amigo. Um cara forte e inteligente!
Almoçamos, num clima muito fraterno (os pais dele eram extremamente gentis) e passamos uma tarde muito agradável, em que os estudos fluíram na maior tranquilidade, e pude esclarecer muitas dúvidas de meu amigo. No final, José Márcio me presenteou com um almanaque daqueles muito atraentes, cheio de artigos e imagens versando sobre assuntos interessantíssimos.
Num determinado momento, antes que eu me fosse, os pais do meu amigo se aproximaram de mim, discretamente, aproveitando-se de uma ausência momentânea de José Márcio. Não sei se ele tinha poucos amigos e os pais perceberam o quanto era sólida e verdadeira a nossa amizade, o fato é que desabafaram comigo, fazendo-me uma revelação terrível. Havia pouco tempo, meu querido amigo tinha sido diagnosticado como portador de leucemia mieloide. E um detalhe: ele mesmo não sabia da doença, que naquela época era considerada um câncer do sangue, com diagnóstico fatal.  Fiquei muito, muito triste com aquela notícia e cumpri minha promessa feita aos pais do meu amigo de não contar nada para ele e nem para mais ninguém, fossem colegas ou professores.
José Márcio Policarpo morreu de leucemia naquele mesmo ano. Acho que ali foi a primeira vez que a morte levava alguém tão querido e tão próximo de mim. Naquela época mesmo, me dei conta de que um homem é feito de algo mais do que um livro, uma árvore plantada e filhos... Estar frente a frente com o lado difícil da vida (que algumas vezes é a própria morte) também faz parte dos elementos que construirão um dia o que meu professor de matemática no Macedo Soares chamava um homem de fato.
Todos os anos, no dia do aniversário de meu amigo, faço uma oração para ele, onde quer que esteja. Com certeza está no céu, fazendo a alegria dos anjos e santos, tocando maravilhosamente seu acordeom e magistralmente o seu clarinete. E quem mora hoje em Volta Redonda, poderá constatar que, ao lado dos Correios, na Vila, existe uma rua com o nome desse meu amigo: José Márcio Policarpo.
Neste dia 11 de março, portanto, acordei lembrando-me de tudo isso. De meu amigo tão prematuramente falecido; do professor Jonofon, da escola, dos colegas. E de tanta coisa mais... Foi então que percebi que já havia escrito um livro, que já plantei uma árvore, tive meus filhos amados — Ana Paula e André Luiz — e já me deparei, relativamente cedo, com o lado difícil da vida.  Sou um homem realizado ... ou quase...Acredito que um homem, ou um homem de fato nunca está pronto. Chegamos a um ponto, é verdade, em que já atingimos esse status, ou seja, podemos nos considerar homens. No entanto, esta é uma obra que se arremata e se aperfeiçoa durante toda a vida. Além dos livros que escrevi, da árvore que plantei, dos filhos que tenho; além das histórias inesquecíveis que vivi, algumas engraçadas, outras comoventes, outras, como vocês viram, insólitas — e de outras histórias vividas que não narrei aqui — sei que há muitas outras me esperando no caminho, para acontecer, para se concretizar e aperfeiçoar mais e mais a pessoa, o homem que sou hoje.
Mas isto...é uma outra história...






PAULO ROBERTO SILVEIRA
Enviado por PAULO ROBERTO SILVEIRA em 12/02/2015
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